Um dos comentários mais recorrentes acerca do cinema português é o alegado uso excessivo de palavrões que os guionistas empregam quando dão a palavra às personagens. A este junta-se um outro, também recorrente, em que o cinema nacional é acusado de mostrar muita carne, numa clara alusão ao cariz sexual e erótico de algumas cenas.

A questão da carne deixo-a para outra ocasião, centrando desta vez a atenção no vernáculo da linguagem empregue, segundo alguns espectadores, na maioria dos filmes portugueses.

Quanto a este assunto, só se me ocorre dizer que quem se escandaliza por ouvir um foda-se ou um vai à merda ou ainda um filho da puta durante um filme português é porque, da duas uma, ou não percebe inglês ou quando está a ver um filme anglo-saxónico está de tal forma pegado às legendas que nem repara no que as personagens dizem de facto.

Caríssimos amigos, da próxima vez que estejam a ver um filme estrangeiro, americano por exemplo, tomem atenção e vejam quantas vezes podem surgir termos como fuck you, asshole, bitch ou shit entre muitos outros. A grande maioria das vezes estas expressões são pura e simplesmente eliminadas da tradução/legendagem ou, na melhor das hipóteses, substituídas, eufemisticamente, por termos mais suaves de forma a não ferir os púdicos ouvidos, olhos neste caso,  dos portugueses.

Acuse-se o cinema nacional de todos os seus males, mas no que aos palavrões diz respeito, poupem-no, por favor. Ou será que dizer asneiras em inglês é porreiro e em português é uma pouca vergonha?